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Qual a justificativa para empregar a cintilografia de perfusão miocárdica na investigação de isquemi

Qual a justificativa para empregar a cintilografia de perfusão miocárdica na investigação de isquemi

Inicialmente a cintilografia é um estudo não-invasivo, enquanto a coronariografia é invasiva, portanto mais sujeita às complicações. Isquemia miocárdica por definição caracteriza-se por uma desproporção entre oferta e consumo de oxigênio e a cintilografia miocárdica é capaz de diagnosticar a presença de isquemia, enquanto a coronariografia avalia a presença de lesão obstrutiva nas coronárias, e esta não necessariamente leva à isquemia, que depende de fatores como circulação colateral, massa muscular envolvida além da subjetividade na quantificação das lesões.

O resultado da cintilografia além da alta sensibilidade (> 85%) e especificidade (> 85%) no diagnóstico da presença de isquemia miocárdica, fornece dados de importância prognóstica, que são a base da conduta terapêutica. Pacientes com cintilografia de perfusão normal , apresentam um risco de eventos cardíacos menores que 0,5 % ao ano, mesmo pacientes sabidamente coronarianos, com angina estável, diante de uma cintilografia miocárdica normal, apresentam um risco de eventos cardíacos em torno de 0,9 % ao ano (Maddahi, 2001). Por outro lado, um exame alterado, vai definir prognóstico, além de auxiliar na decisão terapêutica. Quanto maior a extensão e a intensidade das alterações à cintilografia, maior é a chance de eventos cardíacos (Lette,1995 ). O achado de dilatação transitória da cavidade ventricular esquerda nas imagens após o estresse e/ou incremento na captação pulmonar de tálio-201, definem uma situação de altíssimo risco para eventos futuros com um valor preditivo positivo de 70 %. Quando comparamos a porcentagem de eventos cardíacos ao ano de pacientes submetidos à terapêutica medicamentosa com pacientes submetidos à revascularização miocárdica, de acordo com os achados da cintilografia de perfusão miocárdica, constatamos que nos casos com alterações discretas, a sobrevida é muito semelhante, enquanto diante de alterações de grau acentuado a população com tratamento clínico apresenta taxa de 4.6 % de eventos cardíacos ao ano contra 1,3 %/ ano da população submetida à revascularização. (Hachamovitch , 1998). A introdução da aquisição de imagens sincronizadas ao ECG (Gated SPECT), proporcionou ainda a possibilidade da adição da avaliação da função ventricular esquerda aos achados da perfusão miocárdica. Portanto o uso da cintilografia não se restringe unicamente ao diagnóstico apresentando dentro do contexto clínico um papel muito mais amplo na condução de pacientes.

 

Dra. Mariza Izaki, médica nuclear do Serviço de Radioisótopos do InCor em São Paulo-SP

 

Fonte: http://sbmn.org.br/duvidas/qual-a-justificativa-para-empregar-a-cintilografia-de-perfusao-miocardica-na-investigacao-de-isquemia-miocardica-a-avaliacao-direta-das-coronarias-nao-seria-mais-recomendavel/